Luzia ou a Força Feminina que Resiste a Catástrofes

Como várias pessoas acompanhei absolutamente transtornada e triste o incêndio que destruiu o museu que eu mais amava. E, diga-se de passagem, sou amante de museus o que faz com que esse título não seja vazio.

MUSEU NACIONAL / RIO
Aquele lugar mágico me encantou aos sete anos quando uma tia – que já se foi – me levou lá e como de hábito arranjou algo para fazer um “bullying” básico: uma múmia que, sem os dentes da frente e magra era “eu” aos sete, sem dentes e magra.
Engraçado que criança que sofre bullying mais forte acha graça dos mais amenos e eu até achei lindo ter um “eu” naquele lugar mágico… Então queria lhes apresentar EU: Chiu Chiu é o nome e, segundo o site do Museu Nacional

chiuchiu

A múmia de um homem com cerca de 40 anos, sentado com as mãos entre as pernas fecha a exposição de múmias americanas do Museu Nacional/UFRJ. Foi achada na localidade de Chiu-Chiu, no deserto de Atacama, a 2 mil metros de altitude, no Chile, e o tipo de sepultura em que se encontrava era comum há cerca de 4 milênios, quando os grupos que ali viviam começaram a viajar em caravanas. No frio deserto, era comum dormir sentado com a cabeça apoiada no joelho, possivelmente uma forma de aquecer-se sob os ponchos e gorros de lã de lhama. Nesta posição os mortos eram enterrados, com seus pertences e suas roupas. Este homem sofreu uma lesão na face esquerda, talvez uma fratura que pode não ter sido a causa de sua morte. Os moradores do deserto de Atacama (atacamenhos) não tinham tradição guerreira, embora tenham, em alguns momentos, praticado rituais violentos. (site do MN)

Chiu Chiu resistiu ao deserto do Atacama, resistiu a muito tempo de exposição sem muitas condições de conservação. Não resistiu (até onde sabemos por enquanto) ao incêndio. Ele, ao lado de muitas múmias como Aymara ou as egípicias não estão mais aqui para encantar os olhos de crianças de sete, mais ou menos anos.

B 2421
Aymara

Quando fui para a faculdade outro objeto do museu captou minha atenção e carinho: Luzia, um fóssil humano que reescreveu a História de todo continente. Assim o site do Museu Nacional a descreve:

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Quase tudo que foi descoberto sobre Luzia fundou-se no estudo do que restou de seu esqueleto. A partir da análise de sua pelve (bacia) foi possível reconhecer que tais restos pertenceram a uma mulher com cerca de 25 anos à época de sua morte. Pelo comprimento dos ossos longos, sua altura é estimada em torno de 1,5 metro. O que aconteceu com Luzia e seu povo ainda é um mistério. Provavelmente não haverá uma explicação única. Dispersos pelo continente, é possível que diferentes grupos, representantes dos primeiros colonizadores, tenham encontrado destinos variados. Destinos estes que apenas através de novas pesquisas serão conhecidos.

Estima-se que Luzia tinha entre 12 mil e quinhentos anos e treze mil… O que faz dela a mais antiga brasileira, apesar de ser um anacronismo isso… E depois do incêndio e da desesperança acharam-na, sob as cinzas.

Somos mulheres brasileiras não é Luzia? Desistir não é um verbo do nosso vocabulário.

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A linda Luzia

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