Um Chinês, um cubo e a vida inteira

A vida nos presenteia com muitas coisas. Há muito que muita gente diz isso e há muita, muita gente que há muito tempo nem liga.

Há presentes tão preciosos quanto uma estrela cadente naquele momento certo: perene, fugaz, inimaginavelmente rico. Pois, uma estrela cadente circulou, de arroubo,  a vida de muitas pessoas de 2010 a 2013: um velho que não era velho. Um chinês que não era chinês. Um homem que muitas eras foram preciso para moldar seus minutos contados em 140 caracteres que atingiram em cheio a vida de muitos, a minha vida.

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E ele, como muitos, como todos, dizia coisas interessantes. Uma delas eu particularmente gostei demais:

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Na época eu brinquei com ele e falei que se ele tirasse o “bo mágico” eu concordava plenamente. Tempos estranhos…

Quando ele morreu essa frase ficou latejando na minha mente: a vida, realmente, era um cubo mágico, quando se arrumava de um lado o outro ficava todo embaralhado…

Então eu coloquei um pequeno cubo mágico no espelho do meu carro. Um tanto para lembrar dessa característica tão imperiosa da vida, um tanto para honrar este jovem-velho não-chinês…

Hoje, passado um tempo que não quero contar porque não quero dar ao tempo esse gostinho, olho para o pequeno cubo no meu espelho. Algumas coisas mudaram nele. E nem poderia ser diferente: se é uma alegoria da vida a imobilidade e a inação não são possíveis. Ele está mais velho, sem dúvida, quem não “estamos”? Mas tenho observado algo muito interessante no meu cubinho: as cores estão desbotando!
Um a um os quadradinhos estão ficando menos destacáveis, mais parecidos entre si e eu os olho e lembro do Senshô, amigo Rodrigo e desejo muito que ele estivesse por perto só para que eu pudesse dizer que sim, a vida é um cubo mágico mas que com o tempo colocar as cores certas nos lugares certos é menos importante que a essência do cubo, esta sim não mudou de cor, de forma, de nada e por isso, contraditoriamente,  demonstra haver a possibilidade de mudança, porque sempre podemos mexer com os quadrados, mas a maturidade não se encanta com o brilho das cores, elas não duram; não se importa com separar, classificar…

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Um dia talvez eu entenda porque a essência do cubo é tão importante. Ainda não cheguei lá e nem tenho o Rodrigo para perguntar. Então continuarei observando o cubinho no espelho para ver se ele, tão esperto, me dá mais respostas.

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